Hoje é comemorado o "Dia do Advogado".
Eu sou advogada, e amo minha profissão. Decidi o que seria na vida desde muito cedo, depois da fase dos delírios de infância, quando queria ser "embrulhadeira na Casas Lage" (e isso só quem é de Timóteo sabe o que é) ou então veterinária, para cuidar de todos os bichinhos da face da terra.
Logo o delírio de ser veterinária passou. Layla, nossa cachorrinha da minha infância, teve o que me disseram ser "barriga d'água", e foi muito sofrido passar pela perda dela. Colombina, minha galinha garnizé (eu adoro galinhas), teve gogo, e ver meu pai enfiando uma pena goela abaixo da pobre me fez partir o coração. Tudo bem, ela ficou boa, mas aquilo foi muito pra mim. E quem vai ao veterinário??? Bicho doente, ao menos na maioria das vezes. Logo me incluí bem fora daquele sofrimento todo.
Embrulhadeira na Casas Lage. Ah, como eu adorava a hora do embrulho! Era uma loja enorme, onde hoje é a Caixa Econômica Federal (péssima troca...), vendia tecidos, confecções, cama, mesa e banho. Minha mãe era cliente assídua! Até hoje lembro do papel de embrulho, daqueles rolos enormes que ficam num suporte que já corta o papel: era amarelo claro, com escrito vermelho. Adorava ver as mulheres embrulhando as compras... O dispenser de durex era uma maravilha para meu mundo de criança! O movimento de segurar com uma mão o embrulho já com as dobras no lugar, e com a outra pegar o durex para fechar era mágico para mim! Como queria um daquele!
Eu embrulhava tudo que vocês puderem imaginar! Meu pai trabalhava na antiga Acesita, e por vezes trazia pra casa formulários contínuos de computador que iriam para o lixo. O verso era branco, e eu embrulhava tudo o que via pela frente. Uma imagem muito clara que tenho na mente é da minha borracha escolar toda embrulhadinha... Embrulhava, embrulhava, embrulhava igual uma louca! Origami eu ainda não fazia, mas talvez ali já dava os primeiros indicativos da arte que me prenderia "para todo o sempre, amém", e que anos depois tomaria um lugar muito importante na minha vida.
Não, não me tornei embrulhadeira da Casas Lage.
Ainda menina decidi que seria advogada.
Fui estudar fora, voltei, trabalho na profissão que amo. Sempre ouvindo de todos os lados, das mais diferentes pessoas: "você devia fazer artes plásticas"; "você devia investir na arte".
A vida às vezes parece toda certinha, mas em verdade isso quase sempre só acontece nos nossos planos. Lá nessa galáxia muito distante tudo acontece na medida exata do nosso planejamento. Crescemos, nos formamos, casamos, temos filhos, trabalhamos o dia inteiro, voltamos pra casa para cuidar da família, e o sorriso sempre no rosto! Comercial de margarina perde! Mesmo que não seja exatamente assim, até porque nunca tive sonho de comercial de margarina, sempre fazemos planos. Os meus são quase sempre profissionais.
Mas vida mesmo, de verdade, não é assim não. Ou pelo menos quase nunca. "E enquanto a gente pensa que sabe de tudo, o mundo muda de cena em menos de um segundo" - já dizia Leo Jaime na música
Rock Estrela. Muitos de vocês nem conhecem essa música, pois é do tempo da Casas Lage.
Tive, tenho e terei meus planos dentro da minha profissão. Claro. Sem planos não vamos a lugar algum. E nunca tive crises de "é isso mesmo que eu quero da vida"? Não. Amo o Direito, faz parte de mim.
Mas o origami tomou uma proporção tão grande na minha vida que passei o último mês analisando o por que de muita coisa acontecendo envolvendo o origami. Certeza, dessas 1.000%, acho que nunca teremos na vida; em nada. Ou quase nunca. Mas uma coisa é certa: para mim Direito e Origami se completam, completam a minha existência. Ainda bem que nunca colocaram uma espada sobre minha cabeça dizendo: "ou um ou outro, escolha!"